terça-feira, 22 de junho de 2010
6 - Diário Profissional: O Início
Estava começando a sentir falta de escrever aqui. Tive a idéia de escrever algumas coisas interessantes que já aconteceram em minha vida profissional até hoje, e dividir esses momentos com os leitores. Ah, uma coisa: Coloquei o título do post como "Diário", mas não seria bem um diário, eu nem gosto de diários. É que não veio outra coisa na mente ao fazer o título, então ficou "diário" mesmo.
E é melhor eu fazer logo antes que eu me esqueça. Infelizmente um de meus defeitos é esquecer de coisas simples e só me lembrar delas quando já é tarde, odeio isso, mas desde criança sou assim. Aí fico parecendo meio "alienado" em certos momentos, isso é bem estranho.
Eu lembro de meu primeiro emprego como se fosse ontem. Foi em uma fábrica (fundo de quintal) de cintos. Fiquei cerca de seis meses por lá, e nesse lugar eu levei a sério a expressão "começar por baixo". Trabalhava muito e ganhava, literalmente, pouco. Menos de um salário mínimo (não preciso dizer se eu era registrado e tal).
As atividades que eu realizava nesse lugar eram as mais variadas, todo o processo para a fabricação de um cinto (e olha que o treco é demorado). Eu cortava uma peça grande de couro, passava cola de sapateiro nessa pedaço de couro cortado, depois cortava a peça de couro no formato de um cinto, outro cara costurava, depois colocava rebites e a fivela, depois fazia os furos, e empacotava. Era um processo trabalhoso de se fazer.
O momento que mais me recordo (ou em parte), foi um dia em que a cola de sapateiro acabou, e os patrões foram comprar mais. Ai eles trouxeram uma cola que veio lá do nordeste do país, de uma marca diferente. Quando abriram a lata, que cheiro forte saía de dentro dela! Nunca tinha sentido um cheiro tão forte de cola antes.
E não parou por ai. Quando a cola cheirosa foi aberta, um funcionário (éramos em 4 pessoas) e o outro colega foi passar a cola no couro que ficava em uma outra sala, sem janelas ou outra ventilação. Estávamos acostumados com isso, nunca passei mal por causa disso. Mas não tinha passado nem dez minutos, um dos rapazes que tinha ido até a outra sala chamou o pessoal de fora para ajudar o colega que estava passando mal lá dentro.
O patrão entrou na sala pra ajudar o colega que estava sentado no chão com tontura, enquanto isso mandaram os outros dois rapazes (eu e o outro cara), para terminar de passar a cola no couro, já que não podia demorar, senão a cola ia secar e estragar o couro. Comecei pensando que não ia acontecer nada, apesar do cheiro super forte da cola.
Mas isso durou pouco. Em poucos segundos, algo nascia dentro de mim. Foi uma sensação estranha que é difícil de explicar. Uma euforia sem igual explodiu dentro de mim, e só tive tempo de gritar: "ME AJUDA PORQUE NUM TO LEGAL, AHHHH", e me joguei em cima do couro melado de cola, dando risada igual a um... a um "nóia". Sim, posso dizer que eu já me entorpeci com elementos químicos por acidente.
A outra coisa que me lembro depois disso (tudo girava), foi que me levantei da mesa onde estava com o corpo estirado, e comecei a sair correndo até o portão da fábrica. Depois disso eu escalei o portão e comecei a gritar igual a um macaco revoltado em cima da árvore. Saltei do alto do portão e deitei de costas na calçada, olhando para o céu... não me lembro de mais nada. Depois de um tempo eu acordei e tomei um copo de leite (diz que evita tontura, discordo) e tirei o resto do dia de folga.
Foram poucos meses, mas essa foi uma das experiências mais bizarras que passei em público. Em breve eu comento outros casos interessantes que aconteceram em meus outros trabalhos, até a data de hoje. Até lá!
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